Caspa persistente: quando ela pode ser um sinal de alerta?

Embora seja comum notar uma certa descamação no couro cabeludo de vez em quando, ter caspa persistente não é normal.

Mais do que apenas um incômodo estético, a caspa pode ser sinal de condições como dermatites, deficiências nutricionais ou infecções.

Por isso, entender suas causas e saber quando procurar ajuda médica é essencial para manter a saúde capilar em dia.

O que é caspa persistente?

A caspa é uma condição dermatológica na qual se formam pequenas escamas brancas ou amarelas no couro cabeludo.

Essas descamações resultam da aceleração do processo de renovação das células mortas da superfície da pele.  Ao se acumular, esse aglomerado de células se solta em forma de farelos ou flocos de diversos tamanhos. 

Além da descamação, pode ainda haver coceira, sensibilidade, ardência, dor, formigamento, vermelhidão, irritação ou lesões como espinhas e bolinhas.

O conceito de caspa persistente vai muito além da duração do quadro descamativo.

Claro que o fator tempo é algo a se considerar, mas além dele outro quesito importante é a refratariedade aos tratamentos convencionais.

Portanto, a caspa persistente é aquela que perdura mesmo após se fazer diversas tentativas de tratamentos.

Tipos de caspa persistente

Nem toda caspa é igual. 

Talvez por isso algumas pessoas tenham dificuldade em reconhecer se têm ou não o problema.

A maioria dos pacientes sabem descrever a caspa quando ela se apresenta como um pó branco saindo da cabeça. 

Por outro lado, alguns questionam se a massinha branca que sai junto ao fio também seria caspa.

Para esclarecer essa questão, é válido agrupar as diferentes apresentações da caspa persistente em dois grupos: caspa seca e oleosa.

Caspa seca x caspa oleosa

A caspa seca é aquela granulação ou escama que se desprende facilmente do couro cabeludo. 

Geralmente basta um simples passar de mão na cabeça ou até mesmo no cabelo para ela se soltar.

Devido à facilidade com se destaca do couro, esses flocos brancos são frequentemente vistos entre os fios e na roupa.

Já a caspa oleosa é mais perceptível ao toque junto à raiz do cabelo. Essa é a famosa massinha branca que se solta com a unha com ou sem um fio junto.

O mecanismo de formação da caspa oleosa é semelhante ao da seca, ou seja, pelo acúmulo de células mortas na pele.

Entretanto, por conta do excesso de sebo na caspa oleosa, as células mortas ficam grudadas à pele ou à base do cabelo.

Por isso, ela não se desprende facilmente como a seca.

Causas de caspa persistente

Por muitas vezes apresentarem quadros incaracterísticos ou muito semelhantes, o erro diagnóstico talvez seja a principal causa da caspa não melhorar.

Quando não se sabe ao certo o que se está tratando, a chance de não se obter sucesso terapêutico aumenta.

Desse modo, é fundamental fazer um bom exame clínico para diferenciar as principais causas de caspa, seja ela seca ou oleosa.

Para facilitar e simplificar o raciocínio, pode-se organizar as diferentes causas de caspa persistente em 2 grupos: secas e oleosas.

Causas de caspa persistente seca

As principais causas de caspa persistente do tipo seca são:

  • psoríase;
  • eczema ou dermatite de contato;
  • dermatite atópica;
  • micose.

Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, com possível extensão às articulações.

As lesões da psoríase se caracterizam por placas vermelhas com presença de escamas brancas ou prateadas em sua superfície.

Essas placas sangram facilmente quando se tenta arrancar suas escamas, mas dificilmente coçam ou doem.

Tipicamente as lesões da psoríase acometem as regiões de flexão do corpo como, por exemplo, joelhos, cotovelos e costas.

Além dessas, frequentemente também se encontram lesões nas unhas e couro cabeludo.

Como é crônica, com alternância entre remissões e recorrências, a psoríase do couro cabeludo é uma causa comum de caspa persistente.

Dermatite de contato

O eczema é a famosa “alergia” da pele.

Por ser muito exposta, a pele fica vulnerável ao contato com as mais diversas substâncias, sendo, portanto, constantemente testada.

Embora alguns compostos sejam mais alergenos, ou seja, responsáveis por causar alergia, muitas vezes ela surge por produtos improváveis.

No couro cabeludo, os agentes alergênicos mais frequentes são a parafenilenodiamina (PPD) da tintura e o kathon CG do shampoo.

A dermatite de contato por tintura ou shampoo ocorre e se agrava sempre após o uso desses produtos.

Desse modo, ao lavar ou tingir os cabelos, o couro começa a coçar, apresentar vermelhidão, descamação e às vezes até bolhas.

Dependendo do tempo para se fazer o diagnóstico, encontrar e afastar o agente alergênico, pode-se ter caspa persistente por dermatite de contato.

Isso não é nada incomum, visto que nem sempre é fácil diferenciar essa condição de outras dermatites.

Além da relação temporal com o uso dos produtos, uma outra dica para suspeitar do eczema de contato é o acometimento de regiões próximas ao couro, como orelhas, testa e nuca.

Dermatite atópica

A dermatite ou eczema atópico é uma condição na qual a pele descama por conta do ressecamento secundário a falhas na barreira cutânea.

A barreira cutânea é uma fina camada de óleo que recobre a superfície da pele. Essa película ajuda a reduzir a perda de água por evaporação, além de proteger a pele da ação de microrganismos.

No paciente atópico, essa barreira é ineficaz, fazendo com que a pele fique mais seca e propensa a infecções.

Por isso, é comum pacientes com dermatite atópica apresentarem caspa persistente.

Além da descamação, outra característica bem marcante do eczema atópico é a coceira.

Pacientes com dermatite atópica se coçam muito. Dificilmente pacientes com atopia apresentam lesões só na cabeça.

Em geral, há outras lesões no corpo, especialmente nas regiões de dobras cutâneas.

Além de apresentar coceira em outras áreas corporais, esse paciente frequentemente apresenta antecedente pessoal ou familiar de atopia, ou seja, rinite, bronquite ou asma.

Micose

A micose do couro cabeludo é uma causa de caspa persistente mais comum em crianças.

Por conta da mudança na composição do sebo por hormônios, adultos raramente apresentam Tinea capitis.

Nas crianças, a micose se apresenta como placas ovais com descamação, vermelhidão, coceira e, principalmente, quebra ou queda de cabelo.

Aliás, as falhas que se formam pela tonsura dos fios é uma das mais marcantes características da micose do couro cabeludo.

Causas de caspa oleosa

A principal causa de caspa persistente do tipo oleosa é a dermatite seborreica.

dermatite seborreica atinge áreas ricas em glândulas sebáceas, como couro cabeludo, rosto, orelhas e tórax.

Além das escamas gordurosas, as lesões da seborreia nessas áreas podem ainda apresentar vermelhidão, ardência, dor e coceira.

As causas da dermatite seborreica não são totalmente claras, mas se acredita na participação de fatores genéticos, oleosidade e a proliferação do fungo Malassezia.

A combinação desses agentes parece desencadear uma resposta inflamatória anormal em pessoas com predisposição genética ao problema.

Outros fatores agravantes incluem estresse, alterações imunológicas e neurológicas, como, por exemplo, HIV ou Parkinson.

A deficiência de algumas vitaminas e minerais também podem ser responsáveis por quadros de caspa persistente semelhante à seborreia.

Assim, por exemplo, a deficiência grave de zinco cursa com a acrodermatite enteropática, cuja manifestação cutânea inclui, dentre outros, caspa.

Já a deficiência de vitaminas do complexo B, como riboflavina (B2), piridoxina (B6) e especialmente biotina (B7) também podem causar quadros similares à dermatite seborreica.

Tanto na deficiência de zinco como na de vitaminas do complexo B, a suspeita ocorre pela presença de outros sinais e sintomas como diarreia, inflamação da língua, fissuras nos lábios e distúrbios neurológicos.

Como eliminar a caspa persistente?

O tratamento da caspa no couro cabeludo vai depender diretamente da patologia responsável pela descamação.

Com exceção da micose e da dermatite de contato, as outras condições que causam caspa persistente são doenças crônicas.

Desse modo, elas não apresentam cura, mas controle. 

O tratamento da caspa persistente por alergia ao shampoo ou tinta de cabelo se dá pelo reconhecimento e afastamento do agente causador.

A identificação do alérgeno é feito através do teste de contato ou patch test.

Já a micose do couro cabeludo necessita do exame de cultura de fungos para isolar o agente causal.  

O tratamento da caspa persistente por Tinea capitis envolve o uso de antifúngicos orais por um tempo longo.

A conduta nas outras dermatites do couro cabeludo oscila de acordo com a severidade dos sintomas.

Dessa forma, o tratamento da psoríase do couro cabeludo pode variar desde xampus, tópicos como calcipotriol ou corticoides, medicações orais como metotrexate, ciclosporina, retinoides até injetáveis como os imunobiológicos.

Já a dermatite atópica costuma responder a hidratação com óleos, cremes ou corticoide tópico.

Casos de caspa persistente grave com acometimento mais extenso no corpo podem exigir medicações imunossupressoras como metotrexato e ciclosporina.

Se houver sinais de infecções, antibióticos também ajudam a controlar as manifestações cutâneas do eczema atópico.

Por fim, o tratamento da dermatite seborreica envolve mudanças comportamentais para evitar o abafamento ou excesso de oleosidade no couro.

Xampus anticaspa contendo antifúngicos como cetoconazol, piroctolamina, sulfeto de selênio, piritionato de zinco ou climbazol também são efetivos.

Nos casos de caspa persistente severa mesmo após shampoo e cuidados pode ser necessário se utilizar medicamentos orais como antifúngicos e isotretinoína.

Quadros de caspa por deficiências de vitaminas e minerais são incomuns, mas quando ocorrem, necessitam da dosagem e reposição do nutriente em falta.

Quando a caspa persistente é um sinal de alerta?

Embora a caspa geralmente seja apenas um incômodo estético, existem situações nas quais ela pode indicar outros problemas.

Desse modo, é importante buscar um médico quando os sintomas não melhoram com tratamentos convencionais, como o uso de xampus anticaspa, se há vermelhidão intensa, feridas ou queda de cabelo associada. 

Outro sinal de alerta é a presença de descamação em outras áreas do rosto ou corpo.

Nesses casos, a caspa pode ser um espectro de condições que exigem diagnóstico para tratamento específico.

Pacientes em uso de medicamentos imunossupressores ou com histórico de doenças neurológicas também devem monitorar alterações no couro cabeludo, já que a caspa pode ser um efeito colateral ou um sinal de descontrole da doença de base.

Por fim, sinais e sintomas como fissuras na boca, língua vermelha e inchada ou diarreia são indicativos de possíveis déficits nutricionais, exigindo exames de sangue para análise.

Assim, apesar da caspa ser um problema comum, ela não deve ser ignorada, principalmente quando persiste.

Ao entender suas causas e reconhecer quando ela pode se associar a outras condições possibilita buscar o tratamento precoce, evitando a intensificação do quadro.

Portanto, se você tem caspa persistente e quer saber como se livrar dela, faça-nos uma visita!

A Clínica Doppio possui uma estrutura apropriada para avaliação e tratamento de queda de cabelos e calvície. Além disso, conta ainda com um médico especialista em cabelos e profissionais preparados para ajudar com seu problema.

Faça uma avaliação e obtenha as informações e cuidados para o seu caso.

Dr. Nilton de Ávila Reis

CRM: 115852/SP | RQE 32621

Médico formado pela UNICAMP e dermatologista pela USP, com mais de 10 anos de experiência no tratamento de problemas capilares e do couro cabeludo. Integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês.


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